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Analise a posição!

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Abaixo reproduzo interessante posição atingida na partida entre Ellen e Álvaro. O branco joga. Façam criteriosa análise para avaliar se poderia haver outra continuidade neste jogo. Não vale Engine!

Brancas jogam. Será que ganham?

Brancas jogam. Será que ganham?

Como a partida prosseguiu:

 José Blanco e Flávio Quintella comentam:

A primeira vista as brancas devem se contentar com tablas!!  Na análise post-mortem se cogitou do sacrifício da outra torre branca (Th1) para se obter ataque direto ao rei negro.  Foi uma boa ideia sem, contudo, ser acompanhada de uma sequência plausível.

Infelizmente, ninguém conseguiu ver uma manobra sutil de ameaça de mate seguido de caça à dama preta, demonstrando, assim, que a sequência do negro não foi a melhor.

Com essa ajuda, agora, as coisas ficaram fáceis.

A melhor sequência parece ser: 18. Dd2… com a idéia de Dd2-g5… e ameaça de mate.  Esse é o lance tranquilo que fica oculto na posição!!

Nesse ponto parece forçado o defensivo 18… f6, pois, se 18… Ba6, seguiria, 19. Ch3!! Dxh1 (forçado) 20. Dg5… e o branco ganha.

No entanto, depois de 18…. f6 o branco tem 19. Bd3… forçando 19… Da2 e depois de 20. Ce2  o branco ganha pois a dama negra está condenada!

Álvaro Frota comenta:

Quando esse assunto se iniciou com a postagem do Blanco no site da ALEX, eu enviei um e-mail para nossa lista interna do clube, fazendo, com as palavras, a mesma “cara de mau” que eu fizera na partida.

O objetivo foi apenas e tão somente criar clima. Agora que o assunto foi resolvido, peço a todos: por favor, não fiquem achando que eu seria uma pessoa tão arrogante e intragável quanto aquele e-mail fez questão de deixar claro que eu seria. Quer dizer, compreendo perfeitamente que sou arrogante e intragável mas não no nível daquele e-mail…

Enviei aquele e-mail por que estou lendo o livro “Las Jugadas Invisibles em Ajedrez” e avalio que minha partida contra a Ellen é um bom exemplo do que os autores desse livro (Yochanan Afek e Emmanuel Neiman) chamam de invisibilidade psicológica.

Explico-me. Em uma dada posição mais ou menos complicada, o enxadrista só vê aquilo que seu conceito do adversário lhe permite ver. Só vê derrota contra um adversário que julga muito mais forte ou só vê vitória contra quem julga muito mais fraco. Então, quem comprou o discurso de homem mau que eu costumo vender (e pelo menos um enxadrista de nosso clube que aceitou o empate na lista da ALEX eu tenho certeza de que comprou, os demais não me meto a dar opinião) não conseguiu ver na posição da partida mais do que um empate, pois tal resultado contra o homem mau já lhe seria plenamente satisfatório.

O mesmo vale para a situação da Ellen quando da partida. Embora ela jure que não seja o caso, essa foi a primeira coisa que eu expressei na análise post-mortem (perguntei se ela não tinha visto que eu estava completamente perdido!) e insisto nesse tema em prol do avanço enxadrístico de nossa companheira de clube!

Como sempre acontece nesses casos de homem mau quando a partida foi analisada pelo GM Houdini, um grito se ouviu: – O homem mau … morreu!

Devo confessar que na partida, diante do tabuleiro, depois de ter sacrificado o cavalo e antes de tomar a torre da Ellen, mais precisamente depois que ela jogou 14. Rf2… eu tomei um “susto” danado pois percebi que o sacrifício era completamente furado e eu já estava completamente perdido, já que na posição resultante depois da tomada da torre em “a1” minha dama ficaria presa em um canto e meu rei ficaria totalmente sem peças para se proteger no outro. Então, tinha que ter algum modo de se aproveitar das duas situações para, ou dar mate, ou ganhar a dama.

Minha alternativa ali diante do tabuleiro seria reconhecer que o sacrifício de cavalo tinha sido furado e não tomar a torre. Mas, se fizesse isso, a Ellen converteria em ponto a vantagem material sem maiores problemas. Então essa não era uma alternativa. Por outro lado, eu tinha prestado atenção suficiente na reação dela diante do sacrifício do cavalo em “d5” e tinha percebido que ela não estava esperando aquilo. Então, a minha melhor chance prática era passar o óleo de peroba na face e continuar…. Daí eu dei o xeque em “d4” fazendo pose de que estava tudo dominado.

E, de fato, estava tudo dominado… Só que não exatamente para o meu lado!!

Lições:

Assim, em meu modo de ver, as principais lições dessa partida são:

1.) É preciso prestar atenção não apenas no tabuleiro mas também nas reações do adversário. Xadrez é uma luta entre duas pessoas por intermédio de um tabuleiro e um conjunto de peças, de forma que as posições geradas no tabuleiro são apenas uma parte do que realmente está ocorrendo na partida. A outra parte, tão importante quanto, é o que está passando na mente dos dois adversários. Daí a necessidade de se prestar a devida atenção à linguagem corporal do outro e, também, a de praticar o assim chamado poker face, ou seja, não deixar que o adversário leia as manifestações de nossa linguagem corporal.

2.) É preciso treinar o reconhecimento cognitivo de posições. Por isso é que eu insisto tanto em apresentar o Chess Tempo. (Eu deveria isto sim é treinar no Chess Tempo mas isso eu acabo não fazendo…) Em uma posição tal como a da partida, com a dama presa de um lado e o rei desprotegido de outro, se você tem um par de bispos apontados tanto para a dama como para o rei, a posição no tabuleiro tem que fazer soar o alarme dentro da mente:

3.) Trate de analisar, sabendo que na posição há um ganho forçado em algum lugar!